Animais que ingerem veneno: como eles enganam a morte


Estudo revela adaptações evolutivas de espécies que sobrevivem a toxinas mortais

Animais que ingerem veneno: como eles enganam a morte
Sapo-flecha (Ameerega trivittata) desenvolveu suas toxinas como defesa contra predadores. Foto: Getty Images

Estudo investiga como algumas espécies conseguem sobreviver a toxinas mortais.

Estudos recentes têm revelado como algumas espécies de animais que ingerem veneno, como as jabutiboias, conseguem sobreviver a toxinas mortais. Em um experimento realizado por biólogos da Universidade da Califórnia em Berkeley, as jabutiboias foram observadas ao ingerir sapos-flecha (Ameerega trivittata), que possuem toxinas letais. Apenas três das quatro cobras que se alimentaram dos sapos conseguiram sobreviver, demonstrando que seus corpos possuem adaptações para lidar com as toxinas.

Essas adaptações são o resultado de milhões de anos de evolução. Desde os micróbios que produzem toxinas para eliminar concorrentes, até os animais que as utilizam para matar presas ou se defender de predadores, a natureza desenvolveu uma vasta gama de estratégias. Como explica a bióloga evolutiva Rebecca Tarvin, “Apenas alguns miligramas de um único composto e aquilo pode mudar todas as interações em um ecossistema”.

Mecanismos de defesa dos animais

Diversos animais, como os sapos da família Bufonidae, produzem glicosídeos cardíacos que interferem nas células, enquanto outros, como o baiacu, abrigam bactérias produtoras de toxinas em seus corpos. Os sapos venenosos, que consomem ácaros e insetos tóxicos, também são exemplos dessa dinâmica. A evolução não apenas fez com que esses animais se tornassem venenosos, mas também permitiu que se adaptassem para evitar a autointoxicação.

Um exemplo é o percevejo Oncopeltus fasciatus, que se alimenta de plantas ricas em glicosídeos. Esse inseto possui adaptações que o tornam resistente a essas toxinas, mas essas modificações podem causar outros problemas, especialmente nas células nervosas. A bióloga molecular Susanne Dobler, que estuda essa resistência, encontrou evidências de que os insetos têm mecanismos adicionais para proteger seus sistemas nervosos.

O papel do fígado na resistência a toxinas

No caso das jabutiboias, o fígado desempenha um papel crucial na proteção contra toxinas. Estudos indicam que o fígado pode conter enzimas que transformam substâncias mortais em formas não tóxicas, semelhante ao processo que ocorre em humanos com álcool e nicotina. Além disso, essa parte do corpo pode abrigar proteínas que agem como “esponjas de toxinas”, ligando-se a essas substâncias e impedindo sua ação.

Outros animais, como o esquilo-terrestre-da-califórnia, também desenvolveram defesas contra venenos, possuindo proteínas em seu sangue que bloqueiam toxinas de serpentes. A composição do veneno varia entre as populações de cobras, e essas defesas evolutivas estão em constante adaptação.

A coevolução entre espécies

As interações entre predadores e presas também são moldadas por essas adaptações. Animais como as jabutiboias não apenas tentam evitar venenos, mas também desenvolveram estratégias como arrastar suas presas para remover toxinas. Essa coevolução é fundamental para entender as dinâmicas ecológicas e como as espécies se inter-relacionam.

A relação entre a borboleta-monarca e plantas de asclépias é um exemplo notável de dependência mútua, onde a adaptação a toxinas permite que algumas espécies prosperem em ambientes que seriam mortais para outras. A pesquisa sobre como esses animais que ingerem veneno evoluíram não só amplia nosso conhecimento sobre a biologia, mas também pode levar a avanços em tratamentos médicos para envenenamentos em humanos.

Essas descobertas ressaltam a importância de compreender as complexas interações da vida e como a evolução molda as comunidades biológicas. Com o avanço das pesquisas, espera-se que novas estratégias de tratamento possam emergir, beneficiando tanto a humanidade quanto a conservação da biodiversidade.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Getty Images


Veja também

O Anti Moro entrou

A eleição para o governo do Paraná ganhou um componente explosivo com a entrada do …

Triplica o patrimônio, falta a resposta

Apurações recentes divulgadas pela imprensa colocaram um novo elemento no debate público envolvendo o ministro …

Convocado por Ratinho Junior, coronel Hudson deixa Secretaria da Segurança Pública

O coronel Hudson Leôncio Teixeira deixará o comando da Secretaria de Estado da Segurança Pública …

Deltan vira problema jurídico e político para Moro

Uma certidão da Justiça Eleitoral revelou que Deltan Dallagnol não está quite com a Justiça …
Cristina busca Ratinho, que estende a mão

Cristina busca Ratinho, que estende a mão

A movimentação de Cristina Graeml neste fim de semana ao se reunir com o governador …
Se a legenda do partido dependesse de Moro, Flávio arriscaria ficar?

Se a legenda do partido dependesse de Moro, Flávio arriscaria ficar?

Na política, divergências acontecem. Mudanças de lado também. Mas existe uma linha que separa estratégia …

Últimas Notícias

O Anti Moro entrou

A eleição para o governo do Paraná ganhou um componente explosivo com a entrada do empresário e…

Triplica o patrimônio, falta a resposta

Apurações recentes divulgadas pela imprensa colocaram um novo elemento no debate público envolvendo…

Convocado por Ratinho Junior, coronel Hudson deixa Secretaria da Segurança Pública

Saída ocorre a pedido do governador Ratinho Junior para ampliar participação no cenário político em…

Deltan vira problema jurídico e político para Moro

Uma certidão da Justiça Eleitoral revelou que Deltan Dallagnol não está quite com a Justiça por…

Cristina busca Ratinho, que estende a mão

A movimentação de Cristina Graeml neste fim de semana ao se reunir com o governador Carlos Massa…