Histórias de resistência e pertencimento através da beleza capilar

As tranças se tornam símbolo de resistência e autoestima para mulheres negras em Apucarana.
A importância das tranças na luta antirracista
Cada fio crespo carrega histórias que, mesmo tentadas a ser silenciadas, ecoam com força na sociedade. A relação entre o cabelo e a identidade negra é um tema central na luta antirracista, e em Apucarana, essa discussão ganha destaque através do trabalho de profissionais como Bianca da Silva Torneli, trancista há nove anos. Em sua prática, Bianca não apenas transforma o visual de suas clientes, mas também resgata a autoestima e promove um reencontro com a identidade.
Bianca e sua missão
Bianca, integrante do Coletivo de Mulheres Negras de Apucarana, recebe mulheres em busca de mais do que um penteado. “Trançar o cabelo é devolver brilho e trabalhar a saúde mental das mulheres”, conta. Para ela, cada trança é uma celebração da beleza e da resistência. Muitas de suas clientes, como a jovem Raquel Rocha, que começou sua transição capilar aos 12 anos, procuram apoio e encorajamento nesse processo.
A transição capilar e suas implicações
Raquel, com apenas 12 anos, já compreende a importância de sua identidade capilar. Após anos de alisamento, ela decidiu parar com os alisamentos e começou a usar tranças, o que a faz sentir-se mais bonita e empoderada. “As tranças ajudam na autoestima e tornam o dia a dia mais prático”, diz Raquel, refletindo sobre como a mudança impactou sua vida. Para ela, o processo de transição não é apenas estético, mas também uma jornada de autodescoberta e afirmação.
O papel do Coletivo de Mulheres Negras
O Coletivo de Mulheres Negras de Apucarana é um espaço vital de acolhimento e fortalecimento. Bianca destaca que, apesar das dificuldades, a união e o apoio mútuo são fundamentais. Elas enfrentam desafios diários, como desigualdade salarial e preconceito, e as tranças se tornam uma forma de resistência e empoderamento. “A luta é diária, e cada trança é um ato de afirmação”, reforça.
Significado histórico das tranças
Bianca também lembra que as tranças têm um significado histórico profundo. Originadas em um contexto de realeza e hierarquia social, elas são símbolo de beleza, resistência e identidade. Muitas mulheres, ao redescobrirem esse aspecto cultural, se permitem experimentar e abraçar suas raízes. “É um retorno às origens, uma forma de se libertar de padrões impostos”, conclui.
Celebração da identidade
Neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, é importante lembrar que a luta pela igualdade racial é também uma celebração da identidade negra. As histórias de Bianca e Raquel refletem como as tranças não são apenas um estilo, mas uma expressão de resistência, orgulho e pertencimento. Cada trança, cada cacho, é memória e futuro, e elas continuam a inspirar novas gerações a se reconhecerem e se permitirem existir sem pedir licença.
Fonte: tnonline.uol.com.br
Fonte: Bianca da Silva Torneli, trancista e integrante do Coletivo de Mulheres Negras de Apucarana








