Após a liquidação do banco, clientes relatam sentimentos mistos sobre seus investimentos

Com a liquidação do Banco Master, investidores relatam receios e esperam ressarcimento dos valores aplicados.
Após a liquidação do Banco Master, anunciada pelo Banco Central, investidores relatam sentimentos mistos em relação aos seus investimentos. A liquidação ocorreu no dia 18 de novembro de 2025, e com isso, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) deve ressarcir até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ para os credores. Porém, a expectativa é de que o processo de ressarcimento seja um dos maiores da história, totalizando cerca de R$ 41 bilhões destinados a 1,6 milhão de credores. Essa situação desperta tanto confiança em alguns investidores quanto receio em outros.
A contadora Sheila Duarte, de 39 anos, decidiu investir R$ 128 mil em CDBs (Certificados de Depósito Bancário) no Banco Master, guiada por sua assessora financeira. Apesar de ter obtido um lucro de R$ 12 mil antes da liquidação, Sheila expressa desconforto com a situação. “Não vale o estresse. Sinceramente fiquei desconfortável, não sei se investiria de novo dessa forma”, revelou.
O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal sob suspeita de tentar fugir do país, aumentando ainda mais as incertezas sobre o futuro da instituição e de seus clientes. As preocupações em relação à cobertura do FGC também são evidentes entre os investidores. Gabriel Sanches, de 24 anos, que deixou R$ 135 mil no banco, relata que está ansioso, mas confiante na solidez do fundo. “O FGC é poderoso e vai garantir meus R$ 180 mil”, afirmou.
Por outro lado, Aline Adriano, advogada de 41 anos, expressa sua angústia ao saber das investigações da PF. Ela investiu R$ 68 mil no Banco Master, que já chegou a quase R$ 80 mil. “Ainda assim, o medo era de que o FGC eventualmente não tivesse saldo suficiente para cobrir um eventual rombo deixado pelo banco”, disse Aline. Apesar do receio, ela acredita que os valores serão ressarcidos.
Enquanto isso, há investidores que se mostram tranquilos e satisfeitos com suas aplicações. Juliana Ferreira, criadora de conteúdo de 36 anos, investiu R$ 5 mil no Banco Master e viu seu investimento crescer para R$ 9.768. “A gente fica triste pelo que aconteceu, porque é um banco que fechou com várias polêmicas, mas quando recebermos esse dinheiro, vamos reinvestir em outro CDB com uma rentabilidade melhor”, comentou.
O papel do FGC e o processo de ressarcimento
O FGC é uma associação civil que protege os investidores contra a falência de instituições financeiras autorizadas. Após a liquidação do Banco Master, o ressarcimento deve ser solicitado pelos credores por meio de um aplicativo, onde deverão fornecer informações ao interventor designado pelo Banco Central. A expectativa é que o pagamento aconteça em 30 dias após a liquidação, seguindo o exemplo de outras liquidações, onde os credores foram ressarcidos rapidamente.
As regras do FGC estabelecem que, caso o valor a ser ressarcido ultrapasse R$ 250 mil, o investidor entrará na lista de credores do banco liquidado, podendo ou não receber o saldo restante, dependendo da ordem de pagamento. Os CDBs têm prioridade em relação a débitos trabalhistas e fiscais, mas estão atrás de acionistas na fila de pagamentos.
No entanto, as incertezas permanecem. Muitos investidores questionam se o FGC terá recursos suficientes para cobrir todos os ressarcimentos, especialmente dada a magnitude da operação. O FGC já enfrentou desafios em situações semelhantes, e a confiança dos investidores depende da eficácia da resposta do sistema financeiro.
Conclusão
A liquidação do Banco Master traz à tona questões importantes sobre a segurança dos investimentos e a confiança no sistema financeiro. Embora o FGC ofereça uma camada de proteção, as preocupações sobre a solvência e a gestão de crises nas instituições financeiras continuam a ser um tema que requer atenção. Os investidores permanecem em um estado de expectativa e ansiedade, aguardando o desenrolar dos eventos e a possibilidade de ver seus investimentos ressarcidos.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Reuters








