Decisão judicial impede novo mapa eleitoral do Texas, prejudicando Trump


Tribunal critica governador Greg Abbott por critérios raciais na elaboração do mapa

Decisão judicial impede novo mapa eleitoral do Texas, prejudicando Trump
Decisão judicial no Texas impede novo mapa eleitoral. Foto: Reuters

Tribunal do Texas barra novo mapa eleitoral que favorecia republicanos, em revés para Trump.

Tribunal do Texas barra novo mapa eleitoral

Um tribunal federal do Texas decidiu nesta terça-feira (18) que o estado não poderá usar seu novo mapa eleitoral do Congresso, que tinha como objetivo transferir várias cadeiras da Câmara dos Representantes dos EUA, atualmente ocupadas por democratas, para republicanos nas eleições de meio de mandato de 2026. A decisão critica o governador Greg Abbott por instruir a legislatura a elaborar o mapa com base em critérios raciais.

Crítica ao governador e à legislatura

A votação, que foi de dois votos a um, representa uma derrota significativa para os republicanos do Texas, que estavam sob pressão do presidente Donald Trump para redesenhar os limites dos distritos eleitorais do estado e maximizar o número de representantes republicanos. O tribunal decidiu a favor de grupos de direitos civis, que contestaram a nova proposta de mapa, alegando que “evidências substanciais demonstram que o Texas o manipulou com base em critérios raciais”. O novo mapa, que foi aprovado pela legislatura estadual controlada pelos republicanos e sancionado por Abbott em agosto, foi considerado discriminatório.

O impacto da decisão

Com a decisão do tribunal, as eleições para o Congresso em 2026 deverão ocorrer de acordo com o mapa anterior, aprovado em 2021, que mantém os republicanos com 25 das 38 cadeiras na Câmara dos Representantes dos EUA. Abbott já anunciou que o estado planeja recorrer da decisão à Suprema Corte americana, ressaltando que a alegação de discriminação é absurda. Para ele, a decisão judicial infringe a autoridade constitucional da Assembleia Legislativa do Texas.

O contexto do redistritamento

A prática de redistritamento é comum nos EUA e envolve redesenhar os limites dos distritos eleitorais para marginalizar grupos de eleitores. Em 2019, a Suprema Corte dos EUA proibiu a intervenção de tribunais federais em casos de redistritamento para obter vantagem partidária, embora a manipulação baseada em critérios raciais continue a ser ilegal. A NAACP, uma importante organização de direitos civis, destacou que, apesar de o estado do Texas ser apenas 40% branco, os eleitores brancos controlam mais de 73% das cadeiras no Congresso.

Respostas e reações

A resposta à decisão do tribunal foi rápida. Trump havia instado os estados governados por republicanos a redesenhar seus mapas eleitorais, e o Texas estava na vanguarda dessa iniciativa. Com a sanção do novo mapa em 29 de agosto, o objetivo era conquistar até cinco cadeiras ocupadas por democratas. Em contrapartida, a Califórnia, sob governo democrata, começou seu próprio processo de redesenho, visando cinco distritos controlados por republicanos, o que intensifica a disputa política entre os estados.

O futuro do redistritamento

Enquanto o Texas enfrenta desafios legais, outros estados, tanto republicanos quanto democratas, estão considerando ou já implementaram planos de redistribuição de distritos. A recente decisão judicial no Texas poderia influenciar esses processos em outras regiões, especialmente em um ano eleitoral. A NAACP reiterou que o esforço do Texas para redistribuir os distritos é motivado por questões raciais e que a intenção do estado é subtrair o número de representantes que refletem as comunidades negras, o que é inconstitucional. A luta pelo controle das cadeiras no Congresso continua a ser uma das principais batalhas políticas nos Estados Unidos.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Reuters


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