A interpretação equivocada da esquerda sobre a operação militar no Rio


Entenda os motivos do apoio popular à ação militar no contexto da violência no Rio de Janeiro

A interpretação equivocada da esquerda sobre a operação militar no Rio
Wilson Gomes

A operação militar no Rio recebe apoio popular, desafiando a visão da esquerda.

O apoio popular à operação militar no Rio de Janeiro

A operação militar realizada no Rio de Janeiro, apesar de suas controvérsias e do número elevado de mortos, gerou um apoio popular significativo, o que tem perplexado a esquerda e os progressistas. Pesquisas, como a realizada pela Quaest, indicam que 67% da população brasileira considera a operação correta, enquanto 67% acreditam que a polícia não exagerou no uso da força. Além disso, dados do Datafolha revelam que 57% dos cariocas veem a ação como um sucesso, com quase 70% avaliando-a como bem executada. Notavelmente, 81% acreditam que a maioria das vítimas eram criminosos.

A desconexão da esquerda com a realidade

Essa situação expõe uma desconexão entre a esquerda e a realidade vivida por muitos brasileiros. Para os progressistas, a narrativa se concentra na vitimização dos moradores de favela e na defesa dos direitos humanos, ignorando a percepção da população sobre a necessidade de segurança e ordem. A reação à operação militar, nesse sentido, é lida como um fenômeno de desinformação ou de adesão à narrativa conservadora. No entanto, essa interpretação falha em considerar a experiência concreta de quem vive sob o domínio de facções criminosas, onde a sensação de insegurança e desordem é palpável.

A ameaça normativa e o apoio à repressão

Karen Stenner, em sua obra “The Authoritarian Dynamic”, argumenta que as respostas autoritárias não são meramente ideológicas, mas surgem da percepção de uma ameaça normativa. Para muitos, a vida sob a violência das facções representa uma quebra da ordem moral e social. O Estado, ao agir de forma repressiva, é visto não apenas como um agente de violência, mas como um restaurador da ordem perdida. Em áreas dominadas por milícias, a população busca alguém que restabeleça as regras, mesmo que isso signifique aceitar uma abordagem violenta.

O entendimento da violência pela população

É crucial compreender que a visão da população em áreas afetadas pela violência não se alinha necessariamente com os princípios defendidos pela esquerda. Para muitos, a operação militar não é vista como uma afronta aos direitos humanos, mas como uma ação necessária para a manutenção da ordem. A ideia de que a polícia deveria ser mais severa é um reflexo do desespero e da urgência pela segurança. Quando se argumenta sobre a ‘polícia que mais mata’, os moradores sob a bota das facções muitas vezes respondem com uma demanda por mais rigor nas ações policiais.

As consequências de uma abordagem ideológica

A insistência da esquerda em uma moldura moral que prioriza direitos e garantias pode se tornar um obstáculo para entender as reais necessidades da população. Essa visão simplifica a complexidade do que está em jogo: a luta não é entre direitos humanos e punitivismo, mas entre uma ordem em colapso e um Estado que, mesmo de forma brutal, promete restaurá-la. O apoio popular à operação militar no Rio é um indicativo de que a experiência de viver sob uma ameaça constante molda as percepções da população, que busca uma resposta que restaure a segurança e a moralidade.

Conclusão

Enquanto a esquerda não compreender que o apoio popular à operação militar deriva de uma vivência sob uma ameaça normativa e não apenas de conservadorismo ou manipulação, continuará a falar para si mesma, desconectada da realidade do país. A operação no Rio e seu respaldo da população refletem uma necessidade urgente de reestabelecimento da ordem e da segurança em meio ao caos da violência das facções.

Fonte: www1.folha.uol.com.br


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