O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, solicitou ao Senado Federal, durante sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, um aumento de 38% no orçamento da instituição para o próximo ano. Adicionalmente, Rodrigues propôs dobrar o efetivo atual da PF, visando fortalecer o combate ao crime organizado no país.
Segundo o diretor-geral, o orçamento atual da PF, de R$ 1,8 bilhão, necessita ser ampliado para, no mínimo, R$ 2,5 bilhões. “Já fiz esse apelo para que, na Lei Orçamentária Anual sob apreciação desta Casa, tenhamos um aumento desse valor para que a gente tenha melhores condições de fazer [o combate às facções]”, afirmou Rodrigues.
O aumento dos recursos, segundo Rodrigues, permitirá a expansão das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs). Essas forças-tarefas, coordenadas pela PF em parceria com as forças de segurança estaduais, são cruciais no combate a facções, milícias e outras organizações criminosas.
Durante a sessão, o chefe da PF também criticou o texto do PL Antifacção em tramitação na Câmara dos Deputados, argumentando que a proposta prejudica o financiamento da PF e cria conflitos em normas já existentes. Ele enfatizou a importância de priorizar a apreensão do patrimônio econômico do crime e de atuar no mercado financeiro digitalizado, que facilita a lavagem de dinheiro.
Rodrigues avalia que o efetivo atual da PF, composto por 13 mil policiais (incluindo 2 mil servidores administrativos), é insuficiente para atender às demandas da instituição. “Estimo que nós precisaríamos, para atender todas as demandas – aí pensando aqui a médio e longo prazos – ter o dobro desse efetivo para que a gente consiga, de fato, atender com ainda mais eficiência tudo aquilo que a gente faz”, comentou.
Ele ressaltou que a PF, além da investigação policial, é responsável pelo controle de armas, emissão de passaportes, controle de produtos químicos, segurança bancária e controle de imigração. “Só no ano passado, foram 40 milhões de movimentos migratórios no país inteiro, além de controle de fronteiras, portos, aeroportos, que também são missões da instituição.”
Respondendo a questionamentos, o diretor-geral defendeu que as prioridades no combate às facções devem incluir a descapitalização das organizações criminosas, a prisão de seus líderes e uma maior integração entre as polícias do país, juntamente com a cooperação internacional. “A cada investigação que a Polícia Federal faz, por exemplo, contra o tráfico de drogas, em paralelo ou concomitantemente, nós abrimos uma investigação patrimonial, para que também seja atacado o poder econômico.”
Andrei Rodrigues informou que o total apreendido de organizações criminosas aumentou significativamente nos últimos anos, passando de R$ 1 bilhão em 2022 para R$ 6,4 bilhões em 2024, com a expectativa de alcançar R$ 9 bilhões em 2025. Ele ainda destacou a importância da PEC da Segurança para melhorar a integração entre as polícias federal e estaduais.
Por fim, o chefe da Polícia Federal alertou para os desafios impostos pela digitalização da economia mundial, que tem facilitado as transações financeiras do crime organizado. Ele enfatizou a necessidade de modernização das instituições para enfrentar o crime na era digital. “Precisamos sair daquele momento da economia tangível para o hoje, essa economia fluida, essa economia digital.”








