Defesa do Conselho de Direitos Humanos ao irmão de Dino após críticas do procurador do RJ


Nota de apoio surge em meio a conflitos sobre fiscalização de operações policiais no Rio

Defesa do Conselho de Direitos Humanos ao irmão de Dino após críticas do procurador do RJ
Conselho de Direitos Humanos se posiciona em defesa de procuradores. Foto: Mônica Bergamo

Conselho de Direitos Humanos apoia procuradores após críticas do procurador-geral do RJ, em meio a disputas sobre fiscalização policial.

Conselho de Direitos Humanos defende irmão de Dino após ataques do procurador do RJ

Em um momento de tensão no estado do Rio de Janeiro, o Conselho Nacional dos Direitos Humanos divulgou uma nota em apoio ao subprocurador-geral da República, Nicolao Dino, e ao procurador da República, Júlio José Araújo Júnior. Essa posição ocorre após o procurador-geral de Justiça do Rio, Antonio José Campos Moreira, acusá-los de agir de forma “ideológica” durante a supervisão das operações policiais na região.

O comentário de Moreira foi feito no último dia 13, durante o Congresso Nacional do Ministério Público, em Brasília. Ele criticou a atuação de Dino, irmão do ministro Flávio Dino, sugerindo que ele estava tentando “desmoralizar” o Ministério Público do Rio e rotulou Araújo como “ativista”. Além disso, Moreira afirmou que a Defensoria Pública do Rio se transformou em um “braço político”, enfatizando que não se pode ceder “um milímetro” de atribuições a essa instituição.

A resposta do Conselho Nacional dos Direitos Humanos

Em resposta, o Conselho Nacional dos Direitos Humanos defendeu que a atuação dos procuradores está em conformidade com a Constituição e com a Lei Orgânica do Ministério Público da União. O órgão citou decisões de alta relevância que respaldam essa atuação. A primeira delas foi uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, datada de 8 de novembro, que reafirma a capacidade do Ministério Público Federal de acompanhar casos sem, no entanto, exercer controle externo sobre as polícias do Rio.

A segunda decisão, oriunda do Conselho Nacional do Ministério Público, datada de 6 de novembro, reconhece como legítimo o monitoramento das obrigações internacionais do Brasil em direitos humanos, o que reforça a posição dos procuradores em questão.

A nota do Conselho afirma que a atuação dos procuradores não se configura como controle externo da polícia, mas sim como um acompanhamento do cumprimento de decisões internacionais de direitos humanos, incluindo a sentença do caso Favela Nova Brasília e as determinações provenientes da ADPF das Favelas. O documento foi proposto pelo conselheiro Carlos Nicodemos e aprovado sob a presidência de Charnele Borges.

Apoio de colegas procuradores

Além do apoio do Conselho, mais de 300 procuradores e procuradoras do Ministério Público Federal já haviam se manifestado, em uma nota, em apoio a Dino e Araújo. Eles afirmam que as acusações feitas por Moreira carecem de fundamento e que a defesa dos direitos humanos é uma parte integral da função institucional do Ministério Público.

O subprocurador-geral da República, Nicolao Dino, respondeu às críticas em uma nota divulgada na sexta-feira, dia 14, no qual rechaçou o discurso de Moreira como ofensivo e negou que sua atuação tenha sido uma tentativa de controle externo das polícias do Rio.

O cenário da disputa

Esse conflito se desenrola em meio a uma disputa mais ampla sobre quem tem a responsabilidade de investigar e fiscalizar a Operação Contenção. Enquanto Moreira defende que essa atribuição é exclusiva do Ministério Público estadual, Dino argumenta que seu trabalho visa acompanhar o cumprimento das decisões da ADPF das Favelas, especialmente após as intervenções policiais. A Defensoria Pública e diversas entidades da sociedade civil também se manifestaram em relação às declarações de Moreira, evidenciando a complexidade e a gravidade da situação atual no estado do Rio de Janeiro.

Fonte: redir.folha.com.br

Fonte: Mônica Bergamo


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