A medida busca isentar acionistas do Imposto de Renda Mínimo até 2028, mas gera incertezas sobre prazos e impactos econômicos.

Empresas brasileiras querem pagar US$ 45 bilhões em lucros até 2028 para evitar imposto, mas prazos geram incertezas.
Empresas de capital aberto e a distribuição de lucros
As empresas brasileiras de capital aberto estão em um dilema financeiro relacionado à distribuição de lucros acumulados. Estima-se que essas companhias possuam cerca de US$ 45 bilhões (aproximadamente R$ 240 bilhões) em lucros que ainda não foram repassados a seus sócios. Para que os acionistas possam escapar do Imposto de Renda Mínimo, a distribuição desses valores deve ocorrer até 2028. Essa situação tem gerado um intenso debate sobre as implicações legais e econômicas dessa movimentação.
Incertezas sobre prazos e interpretações legais
O prazo para a distribuição dos lucros ainda é objeto de controvérsia. De acordo com a Abrasca, a associação que representa as companhias abertas, existem pelo menos três interpretações possíveis sobre o texto aprovado pelo Congresso. Há conflitos com a Lei das Sociedades Anônimas, que pode dificultar a clareza sobre como proceder. A associação está mobilizando esforços junto ao governo e ao Legislativo para que sejam esclarecidos os pontos ambíguos e para que a tributação adicional sobre lucros gerados até 2023 não seja aplicada.
Implicações econômicas e decisões empresariais
Diante da incerteza, muitas empresas estão considerando endividar-se ou esvaziar seus caixas para realizar a distribuição de lucros ainda em 2025. Esta decisão pode gerar um impacto significativo no mercado de câmbio, uma vez que uma parte significativa dos lucros será enviada para o exterior, afetando a cotação do dólar. Enquanto algumas empresas ponderam a distribuição, outras optam por manter os lucros e pagar o imposto, considerando as altas taxas de juros atuais que tornam a manutenção dos lucros mais vantajosa.
O projeto de reforma do Imposto de Renda
O projeto de reforma do Imposto de Renda, que ainda aguarda a sanção do presidente Lula, tem o objetivo de aumentar a faixa de isenção e alterar a tributação sobre dividendos. Desde 1996, os dividendos são isentos de imposto, mas a nova proposta visa tributar lucros e dividendos apurados até 2025, desde que a distribuição tenha sido aprovada até o final deste ano. Essa mudança pode afetar diretamente os acionistas, especialmente os que não se enquadram nas novas regras de isenção.
Desafios contábeis e jurídicos
As empresas enfrentam também desafios contábeis, pois precisam apurar os lucros de 2025 até 31 de dezembro deste ano. Há dúvidas sobre como proceder caso o valor a ser distribuído seja corrigido, o que pode gerar riscos de autuação fiscal. Advogados especializados apontam que a necessidade de atender a todas as normas de convocação e deliberação pode ser um fator complicador, especialmente para empresas com capital pulverizado.
Conclusão
Em um cenário de insegurança jurídica, as empresas buscam tomar decisões que não apenas cumpram as novas exigências tributárias, mas que também garantam a saúde financeira e a competitividade no mercado. A situação exige uma atenção cuidadosa às mudanças nas legislações e suas potenciais implicações econômicas.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Agência








