Como o urbanismo social no Rio de Janeiro pode influenciar políticas de combate ao crime em outros países

O urbanismo social, ainda raro no Brasil, busca integrar áreas vulneráveis e combater o crime, com exemplos inspiradores internacionais.
Urbanismo social: uma solução para a violência no Brasil
O conceito de urbanismo social, que busca integrar áreas vulneráveis às cidades, foi consolidado no Rio de Janeiro, embora sua aplicação ainda seja rara no Brasil. Este modelo, inspirado nas transformações urbanas de Medellín, na Colômbia, tem como objetivo reduzir a criminalidade e promover a inclusão social. Desde sua inauguração em 2011, o teleférico do Complexo do Alemão simbolizou a tentativa de recuperar um território antes dominado pelo narcotráfico. No entanto, a falta de manutenção fez com que o equipamento estivesse desativado desde 2016, refletindo a dificuldade do país em dar continuidade a projetos dessa natureza.
A experiência de Medellín e suas lições
A experiência de Medellín é frequentemente citada como um exemplo de sucesso em urbanismo social. Sob a gestão do ex-prefeito Sergio Fajardo, entre 2003 e 2007, a cidade implementou um conjunto de intervenções urbanísticas que incluíam a construção de teleféricos e a instalação de “equipamentos âncora”, como centros de saúde e educação. Essas iniciativas contribuíram para uma drástica redução na taxa de homicídios, que caiu de mais de 390 por 100 mil habitantes em 1991 para apenas 11 em anos recentes. A continuidade desse projeto se mostrou essencial para os resultados positivos.
Desafios do urbanismo social no Brasil
No Brasil, tentativas de replicar o modelo colombiano enfrentam barreiras significativas. O governo do Rio de Janeiro anunciou um investimento de R$ 240 milhões para restabelecer o teleférico do Alemão, além de R$ 170 milhões em habitação na região. Entretanto, a falta de continuidade em políticas públicas e a desmobilização de projetos, como as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), têm dificultado o avanço do urbanismo social. Especialistas ressaltam que é fundamental adaptar as experiências internacionais às realidades locais, evitando a mera cópia de modelos de sucesso.
Exemplos positivos em outros estados
Apesar dos desafios, existem iniciativas brasileiras que se destacam na aplicação do urbanismo social. O projeto “Territórios pela Paz” no Pará, que começou em 2019, tem mostrado resultados significativos na redução da violência em Belém, com uma queda de 31% nos roubos em um dos bairros atendidos. A presença constante do poder público e a oferta de serviços comunitários têm sido fatores-chave para o sucesso dessa iniciativa. Outro exemplo é o Compaz em Recife, que se tornou um modelo de inclusão social e foi reconhecido internacionalmente por sua eficácia na redução da desigualdade.
Conclusão: a necessidade de continuidade e adaptação
O urbanismo social no Brasil continua sendo uma proposta rara, mas com potencial significativo. A continuidade dos projetos e a adaptação às realidades locais são essenciais para garantir que iniciativas como essas consigam efetivamente reduzir a criminalidade e promover a inclusão social. A experiência internacional, como a de Medellín, oferece valiosas lições, mas é fundamental que se leve em conta o contexto brasileiro para que os resultados sejam positivos e duradouros.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Folhapress








