Entenda a história do massacre que vitimou mais de cem soldados negros durante a Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul.

Reveja a história do massacre que vitimou soldados negros na Guerra dos Farrapos, um episódio pouco discutido.
O contexto histórico da Guerra dos Farrapos
Durante a Guerra dos Farrapos, que ocorreu entre 1835 e 1845 no Rio Grande do Sul, o Brasil enfrentou uma das suas revoltas civis mais significativas. O conflito surgiu devido à insatisfação da elite gaúcha com altos impostos e a busca por autonomia. Os farroupilhas, em sua luta pela independência, começaram a recrutar negros escravizados, oferecendo liberdade como recompensa, mas isso não se concretizava na prática.
A participação dos lanceiros negros
Os soldados negros, conhecidos como lanceiros negros, desempenharam um papel crucial nas fileiras rebeldes, representando até um terço das tropas farroupilhas. A promessa de liberdade e a luta contra a opressão os motivaram a se unir à causa, apesar de serem capturados de suas próprias comunidades. A participação deles, porém, foi marcada por uma traição que culminaria em tragédias.
O massacre no Cerro dos Porongos
Na madrugada de 14 de novembro de 1844, os lanceiros negros acampados no Cerro dos Porongos foram surpreendidos por um ataque imperial. A emboscada resultou na morte de mais de cem soldados negros, que lutavam por liberdade, mas que foram traídos por líderes farroupilhas, como o general David Canabarro. O massacre não apenas eliminou uma força significativa dos rebeldes, mas também simbolizou o fim da resistência negra na revolução.
A traição de David Canabarro
Canabarro, ao perceber a iminente derrota dos farroupilhas, optou por negociar com o império, mas sua traição foi um golpe duro para os lanceiros. Ele desarmou os soldados e facilitou o ataque imperial, priorizando seus interesses em vez da luta pela liberdade dos negros. Essa ação foi vista como uma traição não apenas aos soldados, mas aos próprios ideais da revolução.
O legado do Massacre dos Porongos
O Massacre dos Porongos é frequentemente ignorado nas celebrações da Semana Farroupilha, que exaltam os feitos dos farroupilhas, enquanto a memória dos lanceiros negros é relegada ao esquecimento. A construção do Memorial Lanceiros Negros em 2004 é um passo para reconhecer e honrar a luta e a tragédia desses soldados. Historiadores como Jorge Euzébio Assumpção e Juremir Machado da Silva destacam a necessidade de revisitar essa história e sua relevância no contexto do racismo estrutural que persiste no Brasil.
Uma reflexão necessária
As discussões sobre o Massacre dos Porongos e as traições contra os negros durante a Revolução Farroupilha se tornam cada vez mais relevantes, especialmente em uma sociedade que busca entender e corrigir as injustiças do passado. A luta dos lanceiros negros e sua história devem ser lembradas não apenas como um capítulo trágico, mas como parte fundamental da formação da identidade brasileira e da resistência negra. A visibilidade crescente do movimento negro e a busca por justiça histórica são essenciais para que episódios como o Massacre dos Porongos não sejam esquecidos novamente.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Reprodução/TVE








