Governo avisa senadores sobre veto a trecho da MP que impactaria a conta de luz dos consumidores

Governo anuncia veto a trecho da MP que geraria indenização de R$ 7 bilhões a usinas, impactando a conta de luz.
Governo Lula avisa sobre veto à indenização de R$ 7 bilhões
Na quinta-feira (13), o governo federal comunicou aos senadores que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetará um dos trechos mais polêmicos da medida provisória do setor elétrico. Este trecho em questão previa uma indenização de R$ 7 bilhões a usinas eólicas e solares, caso houvesse cortes na produção de energia determinadas pelas autoridades do setor. A medida teria um impacto direto na conta de luz dos consumidores brasileiros.
A inclusão dessa ideia na MP ocorreu durante a votação na Câmara dos Deputados e foi proposta pelo deputado Danilo Forte (União Brasil-CE). O veto do presidente Lula é aguardado com expectativa, pois ele tem até o dia 24 de novembro para decidir quais partes da MP serão sancionadas ou vetadas. A estimativa de R$ 7 bilhões foi apresentada pela Associação Brasileira dos Consumidores de Energia (Abrace), que se posiciona a favor do veto, criticando a medida que favorece grupos de pressão.
Críticas e reações ao trecho da MP
O relator da medida provisória, senador Eduardo Braga (MDB-AM), também se manifestou contra a inclusão do trecho que prevê a indenização. Durante a discussão, ele ressaltou que o projeto foi aprovado em votações rápidas na Câmara e no Senado, o que gerou descontentamento entre alguns senadores e especialistas do setor. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, declarou que a aprovação do Congresso representava uma vitória para os lobbies que atuam no setor.
Em suas palavras, Silveira afirmou: “O próximo desafio da segurança energética do Brasil é equilibrar a geração distribuída. Eu esperava que o Congresso tivesse contribuído com isso, mas infelizmente venceram os lobbies e não o interesse público”. Essa declaração reflete a preocupação do governo com a influência de interesses privados na formulação de políticas públicas.
Impactos da medida e o cenário energético
Além das usinas eólicas e solares, o projeto também beneficia uma usina a carvão do grupo J&F, dos empresários Joesley e Wesley Batista. A medida manteve a obrigação do país de comprar energia gerada a partir de usinas de carvão até 2040, com base em contratos existentes desde dezembro de 2022. A usina da J&F, localizada em Candiota, no Rio Grande do Sul, se encaixa nos critérios estabelecidos pela MP.
Outro ponto polêmico da medida é a compensação por ‘curtailment’, que permite que consumidores paguem empresas geradoras por cortes quando o excesso de energia não é causado por fontes renováveis, o que é um dos principais aspectos que Lula deve vetar. Além disso, a MP regulamenta o armazenamento de energia e estabelece um regime diferenciado de tributos para baterias, criando novas oportunidades e desafios para o setor.
Futuro do setor elétrico
O governo Lula enfrenta um dilema ao tentar equilibrar as demandas do setor elétrico com a necessidade de proteger os consumidores e preservar o interesse público. A decisão sobre o veto à indenização de R$ 7 bilhões é apenas uma das muitas questões que o governo terá que lidar nos próximos meses. À medida que o Brasil avança em direção a um modelo energético mais sustentável, será fundamental monitorar as políticas que afetam diretamente o custo da energia para os consumidores. O cenário político e econômico em torno da MP do setor elétrico é um reflexo das complexas interações entre interesses públicos e privados no Brasil.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Folhapress – 23.abr.2025








