Deputado federal é criticado por sua trajetória na segurança pública e mudanças propostas no combate ao crime organizado

Derrite, ex-secretário de Tarcísio, relator de projeto antifacção, enfrenta críticas por suas propostas e histórico polêmico.
Guilherme Derrite: a nova liderança no combate ao crime organizado
Na última semana, o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) foi escolhido para ser o relator do projeto de lei antifacção, após uma megaoperação que resultou em 121 mortes no Rio de Janeiro. O projeto, intitulado Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, está previsto para ser votado pela Câmara dos Deputados nesta terça-feira (11).
Derrite, que ocupava o cargo de secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi exonerado para assumir a nova função. Desde sua nomeação, ele propôs mudanças significativas no texto original enviado pelo governo, o que gerou críticas tanto da base governista quanto das forças de segurança.
Alterações polêmicas propostas por Derrite
Uma das principais mudanças sugeridas por Derrite foi a condição para que a Polícia Federal participasse de investigações conjuntas com forças estaduais. Inicialmente, ele propôs que isso dependesse de um pedido formal do governador. Após críticas da própria PF sobre a restrição, o deputado reverteu essa proposta, garantindo agora que a PF possa atuar de forma cooperativa em investigações relacionadas a facções criminosas.
Este movimento de Derrite é visto como uma tentativa de promover uma melhor integração entre as forças de segurança, algo que ele considera fundamental no enfrentamento do crime organizado. Segundo ele, essa colaboração é essencial para abordar crimes complexos que envolvem diferentes esferas de atuação.
Críticas à indicação de Derrite
A escolha de Derrite como relator não foi bem recebida por todos. A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, criticou a decisão, afirmando que ela contaminaria o debate com interesses eleitorais. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, também expressou descontentamento, classificando a escolha como um desrespeito ao presidente Lula, caracterizando-a como uma provocação política.
A trajetória de Guilherme Derrite
Derrite tem uma carreira marcada por sua atuação na Polícia Militar de São Paulo. Ele foi oficial da Rota, uma das unidades mais polêmicas da PM, e foi criticado por ações que resultaram em alto número de mortes em confrontos. Durante seu tempo como secretário, sua gestão foi marcada por episódios de violência, inclusive operações que deixaram um saldo de 84 mortos, conforme relatórios que apontaram abuso de força policial.
A formação de Derrite inclui graduação em Ciências Sociais, Direito e uma pós-graduação em Ciências Jurídicas. Ele é conhecido por suas declarações polêmicas e por adotar uma postura firme no combate à criminalidade, alinhando-se ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Desafios e o futuro do projeto antifacção
Com o PL 5582/25, que busca sufocar o crime organizado, Derrite enfrenta o desafio de equilibrar as propostas com as críticas recebidas. O projeto surgiu após uma operação contra o Comando Vermelho e busca modificar a Lei das Organizações Criminosas, aumentando penas e criando novas categorias de crimes.
Embora tenha feito ajustes para atender a preocupações sobre a atuação da PF, a proposta ainda é considerada controversa. Derrite defende que a legislação é um passo importante para combater a impunidade e que o Estado deve ser capaz de enfrentar os desafios da segurança pública de forma robusta.
Conclusão
Guilherme Derrite é uma figura central no debate atual sobre segurança pública no Brasil. Sua trajetória, marcada por controvérsias e uma postura dura contra o crime, coloca-o em um papel relevante na discussão sobre o projeto antifacção. Com a votação se aproximando, o deputado terá que lidar com as críticas e buscar uma solução que contemple tanto a segurança pública quanto os direitos civis.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: 31.out.24/BBC News Brasil








