Dificuldades financeiras em estatais federais preocupam o Tesouro Nacional


Relatório aponta fragilidades em nove empresas estatais, incluindo Correios e Infraero

Dificuldades financeiras em estatais federais preocupam o Tesouro Nacional
Dificuldades financeiras em estatais federais. Foto: Folhapress

Nove estatais federais enfrentam dificuldades financeiras, aponta relatório do Tesouro.

Dificuldades financeiras em estatais federais: um alerta do Tesouro Nacional

O Tesouro Nacional, em seu 7º Relatório de Riscos Fiscais, revelou que nove das 27 empresas estatais federais estão enfrentando dificuldades financeiras significativas. Entre essas, destacam-se instituições que prestam serviços essenciais, como a Casa da Moeda, os Correios e a Infraero. O relatório, divulgado na última sexta-feira, tem como objetivo mapear os riscos fiscais aos quais o governo federal está exposto e identificar eventos que podem gerar desvios no planejamento das contas públicas.

Empresas em situação crítica

Na lista de estatais mencionadas, a Casa da Moeda do Brasil, os Correios, a ENBPar (Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional), a Infraero e cinco companhias docas foram destacadas. A ENBPar, que controla a Eletronuclear, enfrenta uma situação crítica, necessitando de um aporte de R$ 1,4 bilhão para honrar compromissos financeiros até o final de 2025. Essa situação é especialmente preocupante, pois a Eletronuclear precisa de investimentos substanciais para a conclusão das usinas de Angra 1 e Angra 3.

Os Correios, por sua vez, estão em uma trajetória de deterioração financeira, com um prejuízo de R$ 2,64 bilhões no segundo trimestre de 2025, um aumento significativo em relação ao mesmo período do ano anterior. A estatal busca um empréstimo de R$ 20 bilhões com bancos, que conta com a garantia do Tesouro, mas a aprovação desse empréstimo dependerá de uma avaliação técnica, considerando a fragilidade financeira da empresa.

Impacto nas contas públicas

A situação financeira das estatais é alarmante, pois qualquer aporte necessário para essas empresas representaria uma despesa significativa no Orçamento da União. O governo já projeta um déficit de R$ 6,2 bilhões para 2025 e R$ 6,7 bilhões para 2026. O Tesouro também destaca a situação da Infraero, que registrou um prejuízo de R$ 228,7 milhões e uma queda de 71% na receita líquida, além de estar desenvolvendo um novo plano de negócios para garantir sua sustentabilidade financeira.

Além disso, o relatório menciona que a Codern, responsável pelo Porto de Maceió, enfrenta riscos financeiros devido à necessidade de investimentos em infraestrutura e arrendamentos. As outras quatro companhias docas mencionadas também estão em situações financeiras complicadas, mas sem detalhes específicos no relatório.

Perspectivas futuras e necessidade de ações

O relatório do Tesouro Nacional sugere que é remoto o risco de aportes emergenciais para os bancos estatais, que estão com índices de capital acima dos mínimos regulatórios. No entanto, as empresas estatais não dependentes podem enfrentar dificuldades se os repasses de dividendos e juros sobre capital próprio não atenderem às expectativas. O cenário para 2025 e além ainda é incerto, e medidas de contenção e planejamento serão fundamentais para evitar maiores comprometimentos nas contas públicas.

O governo deve continuar monitorando de perto a situação financeira dessas estatais e tomar as medidas necessárias para mitigar riscos e garantir a sustentabilidade fiscal do país.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Folhapress


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