Convenção coletiva garante continuidade do modelo de trabalho e reajuste salarial

Modelo de trabalho 6×1 é mantido em supermercados de São Paulo, com reajuste salarial de 6%.
Escala 6×1 continua em supermercados de São Paulo
A escala 6×1, que estabelece seis dias de trabalho com um dia de folga, se mantiverá nos supermercados e atacados de São Paulo por mais um ano. Essa decisão foi tomada na convenção coletiva assinada na semana passada, que permite que os estabelecimentos adotem esse regime de jornada.
O presidente do Sincovaga (Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios), Alvaro Furtado, afirmou que a estrutura do trabalho 6×1 permanece inalterada, assim como as jornadas de trabalho das mulheres aos domingos, que ainda estão em discussão no âmbito jurídico. “Não mexemos em nada, mantivemos o 6×1 e as demais jornadas. A questão do trabalho de mulheres aos domingos ainda não está definida juridicamente”, disse Furtado, referindo-se a um recurso que está sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Implicações da decisão do STF
O STF deve decidir se os empregadores são obrigados a conceder uma folga quinzenal aos domingos para as mulheres, conforme previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Furtado expressou preocupação sobre as dificuldades em implementar uma escala 1×1, ou seja, um domingo de folga para cada dia de trabalho, em um setor onde 60% a 65% da força de trabalho é composta por mulheres.
Além disso, o modelo de trabalho 6×1 está no centro de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa reduzir a jornada de trabalho máxima, atualmente fixada em 44 horas semanais. O Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que a manutenção do 6×1 pode ser viável mediante negociação coletiva, mas os empregadores devem se preparar para uma eventual redução da jornada para 40 horas semanais.
Repercussão no setor supermercadista
O setor supermercadista, que emprega aproximadamente 100 mil pessoas na capital paulista, é contrário a essa mudança. A Abras (Associação Brasileira de Supermercados) argumenta que a redução da jornada sem a diminuição dos salários implicaria um aumento real de quase 30% nas remunerações, o que seria insustentável para os empregadores.
A convenção coletiva também estabeleceu um reajuste de 6,27% no piso salarial, que agora é de R$ 2.100. Para os demais salários, o aumento acordado foi de 6%. Essas mudanças são vistas como essenciais para garantir a estabilidade e a atração de trabalhadores no setor, que enfrenta desafios constantes devido à alta competitividade e às mudanças nas demandas do mercado de trabalho.
Em resumo, a escala 6×1 permanecerá nos supermercados de São Paulo, refletindo um compromisso entre empregadores e empregados em um cenário econômico desafiador. A discussão sobre as jornadas de trabalho e os direitos das mulheres continua a ser um tema central nas negociações coletivas, enquanto o setor se adapta às novas exigências do mercado.
Fonte: www1.folha.uol.com.br








