Rodrigo Paz prioriza meritocracia e exclui setores populares do governo

Rodrigo Paz empossou seu gabinete sem representantes indígenas, priorizando a meritocracia.
Neste domingo (9), o presidente de centro-direita da Bolívia, Rodrigo Paz, empossou seu gabinete, que não conta com a participação de representantes indígenas. Esta decisão ocorre em um momento em que quase 40% da população do país é indígena, segundo o censo de 2024. A ausência de setores populares em sua equipe é um reflexo das mudanças políticas que estão acontecendo na Bolívia, onde a direita conquistou a presidência e o Congresso, tornando a esquerda uma força minoritária após 20 anos no poder.
As gestões anteriores, sob Evo Morales e Luis Arce, foram marcadas pela inclusão de líderes indígenas e camponeses em cargos ministeriais. De acordo com Rodrigo Paz, é “um momento de dar espaço à meritocracia” e à eficiência, questionando se a inclusão de setores populares nos últimos 20 anos realmente melhorou a situação do país. “Hoje, depois de uma metodologia de trabalho de 20 anos, a Bolívia está melhor?”, indagou o presidente.
Entre os ministros nomeados por Paz, estão colaboradores do setor privado e tecnocratas, como José Luis Lupo (ministro da Presidência), Fernando Aramayo (Chancelaria), Marco Antonio Oviedo (Governo), Gabriel Espinoza (Economia) e Mauricio Medinacelli (Hidrocarbonetos e Energia). Ele também ordenou que seus ministros se concentrem em resolver questões urgentes, como a falta de combustíveis e a inflação, que atingiu 19% em outubro.
A posse do novo gabinete também representa um afastamento simbólico das gestões de Morales e Arce. Durante suas administrações, a juramentação dos ministros era feita com a presença de símbolos indígenas, mas a cerimônia de Paz foi marcada pela presença de uma Bíblia e um crucifixo. Além disso, ele decidiu retirar a bandeira multicolor wiphala da fachada do palácio de governo, um ato que foi criticado por Evo Morales, que considerou a ação uma ofensa ao movimento indígena.
Morales, que está foragido desde 2024 devido a uma ordem de captura em um caso de tráfico de menores, criticou a nova administração, afirmando que a retirada da wiphala é uma tentativa de apagar a memória coletiva do país. Ele defendeu que a inclusão é essencial para um Estado que busca representar a diversidade da Bolívia.
As mudanças realizadas por Rodrigo Paz e sua administração indicam uma nova era política na Bolívia, onde a meritocracia e a eficiência se tornam palavras-chave, enquanto setores indígenas que foram historicamente representados passam a ser excluídos.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br








