Cenas de violência marcam penitenciária em Machala após confronto

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22.set.25/Xinh
Um intenso confronto em prisão no Equador deixa 4 mortos e 34 feridos. A violência nas penitenciárias do país cresce alarmantemente.
Conflito em prisão no Equador gera mortes e feridos
No último domingo (9), um intenso confronto com armas de fogo e explosivos ocorreu na penitenciária de Machala, no sudoeste do Equador, resultando na morte de quatro pessoas e deixando outras 34 feridas. A situação alarmante reflete a crescente violência nas instituições prisionais do país, que se tornaram verdadeiros campos de batalha entre facções narcotraficantes. Desde 2021, cerca de 600 detentos já perderam a vida em conflitos semelhantes, evidenciando a crise de segurança que assola o Equador.
O incidente começou por volta das 3h (horário local), quando moradores da região ouviram disparos e explosões vindo do interior do centro de detenção. O Serviço Nacional de Ação Integral às Prisões (SNAI) confirmou que quatro pessoas morreram, mas não especificou se todos eram detentos. A primeira informação indicava que 44 pessoas estavam feridas, mas posteriormente foi corrigida para um policial e 33 internos.
Equipes de elite da polícia foram mobilizadas rapidamente para o local, conseguindo restabelecer o controle da penitenciária após capturar sete indivíduos envolvidos na rebelião. O SNAI comunicou que a situação foi controlada, mas a violência nas prisões continua sendo uma preocupação constante. No final de setembro, um outro confronto na mesma penitenciária resultou em 14 mortes, incluindo um funcionário penitenciário.
A crise de segurança nas penitenciárias
A crise nas penitenciárias equatorianas se intensificou devido à disputa entre gangues narcotraficantes que buscam controlar o tráfico de drogas e outras atividades ilícitas. O governo do presidente Daniel Noboa, reeleito em abril de 2025, tem enfrentado duras críticas por suas políticas de segurança, que incluem a militarização do país. Noboa pretende inaugurar uma nova prisão de segurança máxima na província costeira de Santa Elena, na esperança de reorganizar o sistema penitenciário, mas especialistas afirmam que as medidas não têm trazido resultados satisfatórios.
O presidente também tem buscado estreitar laços com os Estados Unidos, cujo governo, sob a administração de Donald Trump, utiliza o combate ao narcotráfico como justificativa para ações militares na região. Recentemente, Noboa recebeu a secretária de Segurança Interna americana, Kristi Noem, e afirmou que Washington está interessado em estabelecer bases militares no Equador. A população se prepara para um plebiscito em 16 de novembro, que decidirá se as instalações do tipo voltarão a ser permitidas, algo atualmente vetado pela Constituição desde 2008.
Dados alarmantes sobre a violência
A violência entre gangues no Equador tem contribuído para um aumento drástico na taxa de homicídios, que saltou de 6 por 100 mil habitantes em 2018 para 38 por 100 mil em 2024. No ano anterior, o país registrou um pico histórico de 47 homicídios por 100 mil habitantes. Estima-se que 73% da produção mundial de cocaína transite pelos portos equatorianos, e em 2024 o país apreendeu um recorde de 294 toneladas de drogas, um aumento de 33% em relação a 2023.
O massacre mais grave na história do sistema penitenciário do Equador ocorreu em 2021, quando mais de 100 detentos foram assassinados em uma penitenciária de Guayaquil, onde os presos chegaram a transmitir ao vivo os confrontos pelas redes sociais, revelando a brutalidade da situação.
A continuação da violência nas prisões e a luta entre facções narcotraficantes são questões que exigem atenção urgente do governo e da sociedade civil, enquanto o Equador tenta encontrar maneiras de restaurar a ordem e a segurança em um contexto tão desafiador.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br








