Ex-Ministro de Bolsonaro Admite Problemas Recorrentes em Descontos do INSS em Depoimento à CPMI


O ex-ministro do Trabalho e Previdência Social, Onyx Lorenzoni, durante depoimento na CPMI do INSS, reconheceu que irregularidades em descontos associativos eram um problema antigo, persistindo em diferentes administrações. Ele afirmou que denúncias de problemas com acordos e procedimentos foram registradas pela imprensa desde 2010, indicando uma falha sistêmica. A declaração lança luz sobre a complexidade e a extensão das fraudes investigadas.

Lorenzoni, que chefiou a pasta por oito meses entre 2021 e 2022, admitiu ter ciência do problema ao assumir o cargo. Ele mencionou que a imprensa já noticiava cobranças não autorizadas em benefícios previdenciários há anos, e que um assessor próximo também havia sido vítima de descontos indevidos. Essa experiência pessoal o motivou a buscar soluções para combater as fraudes.

Segundo o ex-ministro, uma das primeiras ações do governo Bolsonaro foi enviar ao Congresso a Medida Provisória 871, que resultou na Lei 13.846. O objetivo era coibir fraudes em benefícios, incluindo descontos indevidos, e controlar as despesas previdenciárias. No entanto, Lorenzoni ressaltou que o Congresso alterou a proposta original, enfraquecendo a obrigatoriedade da revalidação anual das autorizações.

Durante seu depoimento, Lorenzoni negou ter conhecimento de filiações em massa ou desbloqueio em lotes de descontos associativos enquanto esteve no ministério. Ele enfatizou a autonomia do INSS e destacou que a autarquia já havia adotado medidas administrativas contra entidades denunciadas em 2019 e 2020, cancelando autorizações para descontos em benefícios.

O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar, declarou que as informações fornecidas por Lorenzoni serão confrontadas com outros depoimentos e documentos. Gaspar expressou dúvidas sobre a veracidade completa do depoimento, especialmente em relação ao recebimento de R$ 60 mil de um empresário investigado e à atuação do filho do ex-ministro em uma das entidades sob suspeita. A investigação continua a buscar a verdade por trás das fraudes no INSS.

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br


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