O custo humano da transição da Xiaomi para os carros elétricos


Pressão no trabalho e tragédias pessoais marcam a trajetória da empresa

O custo humano da transição da Xiaomi para os carros elétricos
Foto: AFP

A história de Wang Peizhi, funcionário da Xiaomi, revela o lado obscuro da pressão no trabalho na indústria de tecnologia.

Em Pequim, na China, em agosto de 2024, Wang Peizhi, funcionário da Xiaomi, faleceu de ataque cardíaco, uma tragédia que revela as pressões enfrentadas no setor de tecnologia. A carga de trabalho excessiva, exacerbada pela transformação da Xiaomi de fabricante de smartphones para montadora de veículos elétricos, gerou preocupações sobre a saúde de seus colaboradores.

Pressão intensa e mudanças na empresa

Wang, 34 anos, viu sua rotina de trabalho se intensificar com o lançamento do sedã elétrico SU7. O aumento da carga de trabalho se deu após a demissão de metade da equipe responsável pelas lojas, o que deixou apenas dez pessoas para lidar com a tarefa de adaptar os pontos de venda para veículos. Em seus últimos meses, ele trabalhou em pelo menos 267 lojas, muitas vezes adaptando espaços em prazos apertados.

A cultura de trabalho na tecnologia chinesa

O caso de Wang não é isolado; a cultura de trabalho excessivo, conhecida como “996” — das 9h às 21h, seis dias por semana — é comum em muitas empresas na China. A Organização Mundial da Saúde já alertou sobre os riscos do excesso de trabalho, que afeta a saúde mental e física dos funcionários. Apesar das promessas de fiscalização e proteção dos direitos dos trabalhadores, a pressão por resultados continua a ser um padrão na indústria.

Repercussão e reflexão sobre a saúde dos trabalhadores

Após a morte de Wang, sua viúva, Luna Liu, expressou preocupação com a saúde mental dos empregados, destacando que a pressão constante pode levar a consequências trágicas. Embora a Xiaomi tenha oferecido apoio à família, a situação de trabalho na empresa suscita um debate mais amplo sobre o equilíbrio entre vida profissional e pessoal no setor. O governo chinês promete ações para melhorar as condições de trabalho, mas a cultura arraigada de longas jornadas ainda persiste.

Conclusão

A tragédia de Wang Peizhi serve como um alerta sobre os custos humanos da competitividade no setor tecnológico e a necessidade urgente de repensar a cultura de trabalho nas empresas chinesas. Enquanto a Xiaomi busca se destacar no mercado de veículos elétricos, o bem-estar de seus funcionários deve ser uma prioridade.

Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br


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