Reflexões sobre a violência e a resposta do Estado

A aprovação da execução sumária de criminosos revela a falência do Estado em áreas conflagradas.
Em 06 de outubro de 2023, a reflexão sobre a execução de criminosos no Brasil revela uma aceitação alarmante da violência como resposta à criminalidade. Aqueles que comemoram tais atos são frequentemente manipulados por políticos que se aproveitam do desespero da população. A realidade é que o poder público falha em intervir efetivamente nas comunidades em conflito.
A banalização da violência
Historicamente, a execução pública foi uma forma de controle social. Na Idade Média, as pessoas assistiam a execuções como um espetáculo, acreditando que isso trazia segurança. Hoje, essa lógica se repete em áreas dominadas por facções criminosas, onde a população, desassistida, clama por justiça, mas sem perceber que a violência não é a solução. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, cerca de 28,5 milhões de brasileiros vivem sob domínio do crime.
O papel do Estado
A falta de ação do Estado nas comunidades deixadas à mercê de milícias e criminosos é um fator crítico. A simples execução de criminosos não resolve os problemas estruturais que geram a violência. Ao invés de eliminar os “bodes expiatórios”, a situação se assemelha a um retrocesso, levando a uma repetição cíclica de violência e impunidade.
Consequências sociais
A forma como a sociedade enxerga os bairros pobres, onde a criminalidade prospera, é um reflexo da ideologia meritocrática que permeia nosso sistema. Os moradores, muitas vezes trabalhadores honestos, são vistos como “pobres-diabos”, marginalizados e agredidos tanto por criminosos quanto pelo próprio sistema. Para estes, a solução proposta por políticos que incentivam a violência parece apenas uma forma de desviar a atenção dos verdadeiros problemas.
Reflexão final
A verdadeira solução para a violência nas comunidades requer mais do que a aprovação popular de mortes. É necessário um compromisso verdadeiro do Estado em reconstruir a segurança e a dignidade das pessoas que ali vivem. Sem uma abordagem abrangente e humana, continuaremos presos em um ciclo vicioso sem fim.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br








