Reflexões sobre a nova série da Netflix e suas implicações sociais

A nova série da Netflix, "Os Donos do Jogo", reflete a complexa relação entre ficção e a dura realidade do Brasil, especialmente no contexto do crime organizado.
Nesta semana, com o governo fluminense registrando a ação policial mais letal da história do Brasil, com 121 mortos, a Netflix estreou a série “Os Donos do Jogo”. A produção retrata famílias criminosas lutando pelo controle do jogo do bicho no Rio de Janeiro, abordando a relação entre a realidade e a ficção de forma crítica. O crime, que deveria ser o foco, muitas vezes é tratado como mero pano de fundo para as intrigas e traições entre os personagens.
Temas centrais da série
O cocriador e diretor Heitor Dhalia utiliza como base a docussérie “Vale o Escrito”. Os casais centrais, Suzy e Búfalo, além de Mirna e Profeta, representam uma nova geração em um ambiente dominado por códigos machistas. As mulheres, relegadas a conselheiras, precisam se aliar a homens para ter voz. Essa dinâmica destaca a luta por poder em um contexto tradicionalmente masculino.
Desempenho do elenco e críticas
Os melhores momentos da série surgem do choque entre novas e antigas gerações no crime. No entanto, o elenco jovem, incluindo Mel Maia e Giullia Buscascio, não se destaca em comparação aos veteranos como Chico Díaz. A falta de nuances e profundidade nas atuações dos personagens mais novos é uma crítica recorrente, que destaca a discrepância entre as performances.
Reflexão sobre a realidade brasileira
“Os Donos do Jogo” falha em explorar a dimensão comunitária do crime organizado, limitando-se a um retrato esquemático. A produção, apesar de bem dirigida e visualmente atraente, perde a oportunidade de oferecer uma crítica mais profunda ao Brasil contemporâneo, semelhante ao que foi feito em outras séries como “Pico da Neblina”. Assim, a série pode entreter, mas não provoca uma reflexão significativa sobre as implicações sociais do crime.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br








