Em resposta à onda de violência que paralisou o Rio de Janeiro, o governador Cláudio Castro solicitou formalmente à Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) a transferência de dez detentos considerados líderes de facções criminosas para presídios federais de segurança máxima. A medida visa isolar os indivíduos apontados como responsáveis por coordenar, de dentro das unidades prisionais do estado, os ataques que culminaram no bloqueio de vias e sequestro de ônibus em diversos pontos da capital fluminense.
A solicitação ocorre após uma megaoperação policial nos Complexos do Alemão e da Penha, que resultou em um confronto com alto número de mortos e feridos. A ação, denominada Operação Contenção, apreendeu um grande arsenal de armas e prendeu dezenas de suspeitos, mas também levantou questionamentos sobre sua letalidade. Diante do cenário, Castro busca intensificar a repressão ao crime organizado e restaurar a ordem na cidade.
O governador mencionou ter conversado com a ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffman, e com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, buscando apoio do governo federal para enfrentar a crise. “Me ofereceram ajuda do governo federal e ficamos de nos falar novamente agora à noite”, afirmou Castro, sinalizando uma possível colaboração entre as esferas estadual e federal no combate à criminalidade.
Castro defendeu a Operação Contenção, argumentando que ela foi precedida por uma longa investigação e cumpriu mandados judiciais. “Todos os preceitos da ADPF [Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental] foram cumpridos e nós sabíamos que poderia ter reação dos criminosos da região”, declarou o governador, ressaltando que a ação visava desmantelar esquemas criminosos e restabelecer a segurança na região.
Enquanto isso, a situação no Rio de Janeiro permanece tensa. A Rio Ônibus informou que dezenas de coletivos foram utilizados como barricadas em diferentes pontos da cidade, evidenciando o poder de fogo e a capacidade de mobilização das facções criminosas. A transferência dos detentos para presídios federais é vista como uma tentativa de enfraquecer a liderança dessas organizações e reduzir a violência nas ruas.








