Estabilidade é prioridade para famílias que chegam ao estado em busca de um futuro melhor

Milhares de pais e mães migrantes buscam trabalho e estabilidade no Paraná, priorizando o futuro dos filhos.
Em busca de estabilidade para os filhos, milhares de pais e mães migrantes trabalham ou procuram emprego no Paraná. Para aqueles que chegaram recentemente ao estado, o processo representa um recomeço.
Dar um futuro melhor para as filhas estava entre as prioridades de Annelys Yanet Zayas Pérez ao decidir migrar — Foto: Maycon Hoffmann/RPC.
O Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) estima que existem 75.733 trabalhadores migrantes no mercado de trabalho formal do Paraná. Além disso, segundo a Receita Federal, há 12.132 registrados como Microempreendedores Individuais (MEIs).
Yovannys Serrano Fouz, natural de Cuba, chegou a Curitiba com sua esposa e dois filhos, de 1 e 9 anos, “com malas cheias de sonhos e projetos”. Ele começou a trabalhar pouco após a chegada, inicialmente em um supermercado, e, em seguida, como mecânico de refrigeração e climatização, área em que possui formação.
Desde abril de 2018, pelo menos 28.951 migrantes cruzaram a fronteira entre a Venezuela e o Brasil em direção ao Paraná, conforme dados da Operação Acolhida do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. Outros migrantes e refugiados chegaram ao estado por diferentes rotas, buscando trabalho como um dos principais critérios para se estabelecer.
Márcia Ponce, Secretária Regional da Cáritas Paraná, explica que a busca por emprego é o que tem atraído migrantes para a região. “O sul do Brasil tem sido um destino para a população migrante e refugiada, especialmente pela imagem de um estado com pleno emprego e qualidade de vida”, afirma.
Nos primeiros nove meses de 2025, a Cáritas da Arquidiocese de Curitiba atendeu 11.116 migrantes e refugiados, sendo que as principais demandas estão relacionadas a documentação e emprego. Maria Fernanda Pedroso, coordenadora da Cáritas, observa que o perfil de migração em Curitiba tende à permanência, ao contrário de outras cidades que são apenas locais de passagem.
Amália Tortato, Secretária de Desenvolvimento Humano da Prefeitura de Curitiba, ressalta que os migrantes chegam ao Brasil com vontade de trabalhar, buscando liberdade econômica. “Eles não querem depender de assistência governamental”, explica.
A venezuelana Vanessa Balzan, que chegou ao Paraná em 2023 com seus três filhos, encontrou uma oportunidade como recepcionista no Centro de Informação para Migrantes, Refugiados e Apátridas do Paraná (CEIM) e foi promovida à área administrativa. Ela afirma que se sente motivada a ajudar outros migrantes, pois já passou pela mesma situação.
Apesar das iniciativas de inclusão, o Brasil ainda enfrenta desafios em aproveitar o potencial dos migrantes no mercado de trabalho. Muitas vezes, profissionais qualificados acabam em empregos que não correspondem à sua formação. A falta de reconhecimento de diplomas e barreiras linguísticas são obstáculos significativos.
Karina Rodriguez Hidalgo, esposa de Yovannys, era advogada em Cuba e agora trabalha como diarista em Curitiba. Ela acredita que o Brasil perde ao não aproveitar as habilidades dos migrantes, que poderiam contribuir para diversas áreas, como saúde e educação.
Entre 2016 e 2024, 597 migrantes se inscreveram para o processo de revalidação de diplomas no Paraná, mas apenas 153 conseguiram, segundo dados da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
As mães migrantes enfrentam desafios adicionais no mercado de trabalho, como a falta de uma rede de apoio. Márcia Ponce destaca que as mulheres perdem seus empregos mais rapidamente devido a responsabilidades familiares.
Yovannys e Karina sonham em proporcionar um futuro melhor para seus filhos, desejando que eles tenham boas oportunidades no mercado de trabalho. Yovannys expressa seu desejo de ter uma casa própria e saúde para trabalhar, enfatizando a importância de contribuir para a sociedade que os acolheu.








