Descoberta ocorreu durante escavações em estacionamento da Santa Casa de Misericórdia

Cemitério de escravizados descoberto em Salvador abriga mais de 100 mil corpos, segundo pesquisa.
Arqueólogos encontraram um cemitério de escravizados em Salvador, no estacionamento da Pupileira, na Santa Casa de Misericórdia. Este local abriga os corpos de mais de 100 mil pessoas, conforme revelado em uma reunião no dia 21 de outubro pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA).
Descoberta e escavações
A pesquisa foi liderada pela arquiteta urbanista Silvana Olivieri, da Universidade Federal da Bahia (Ufba). As escavações começaram em 14 de maio de 2025 e, logo nos primeiros dias, foram encontrados fragmentos de objetos e porcelanas do século 19. Apesar da descoberta, o local ainda é utilizado como estacionamento, levando o MP-BA a recomendar a suspensão dessa prática.
Relevância histórica
Silvana Olivieri solicitou que o cemitério seja reconhecido como ‘Sítio Arqueológico Cemitério dos Africanos’, um pedido já encaminhado ao Iphan. A pesquisa revela que os sepultamentos eram realizados em valas comuns, sem cerimônias religiosas, e que os enterrados eram, em sua maioria, escravizados, além de indígenas e integrantes da comunidade cigana.
Conclusão
A descoberta do cemitério, que atuou por cerca de 150 anos até 1844, quando a Santa Casa passou a operar o Cemitério Campo Santo, destaca a importância de reconhecer e preservar a memória dos que foram enterrados ali. Estudiosos acreditam que também podem ter sido sepultados indivíduos que participaram de revoltas históricas, como a Revolta dos Malês.








