A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS retoma suas atividades nesta segunda-feira, a partir das 16h, com dois depoimentos cruciais. Felipe Macedo Gomes, ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), será questionado sobre mais de R$ 1,1 bilhão em descontos considerados indevidos, incidentes sobre aposentados e pensionistas. A comissão busca esclarecimentos sobre o destino e a legalidade dessas movimentações financeiras.
Paralelamente, a ex-integrante do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), Tonia Andrea Inocentini Galleti, prestará depoimento sobre as possíveis obstruções que enfrentou ao denunciar e buscar regulamentar os Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) firmados com associações e sindicatos. A expectativa é que ela revele detalhes sobre as falhas estruturais que permitiram os desvios.
A convocação de Galleti atende a requerimentos de diversos parlamentares, incluindo os senadores Izalci Lucas e Damares Alves, além dos deputados Beto Pereira, Adriana Ventura e Duarte Jr. Izalci Lucas justificou o pedido, argumentando que a CPMI deve investigar não apenas os executores finais das fraudes, mas também as “omissões deliberadas que ocorreram no epicentro decisório do sistema”.
O depoimento de Felipe Macedo Gomes, por sua vez, foi solicitado por sete parlamentares, entre eles os senadores Fabiano Contarato e Damares Alves, e os deputados Rogério Correia, Orlando Silva, Paulo Pimenta e Evair Vieira de Melo. Fabiano Contarato, ao justificar o requerimento, apontou que Gomes foi identificado nas investigações da Polícia Federal e da Controladoria Geral da União (CGU) como um dos principais operadores do esquema de fraudes no INSS.
Segundo o senador Contarato, entre 2022 e 2024, o ex-dirigente da ABCB teria movimentado mais de R$ 1,1 bilhão por meio de descontos irregulares em benefícios previdenciários. “Há indícios de que a associação funcionou como fachada para operações financeiras irregulares, utilizando a estrutura de convênios com o INSS para captação ilícita de recursos”, declarou o senador, evidenciando a gravidade das suspeitas.
Essa nova rodada de depoimentos ocorre após o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, ter se negado a responder perguntas do relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar, na semana anterior. Um habeas corpus concedido pelo STF garantiu a Stefanutto o direito de permanecer em silêncio diante de questionamentos que pudessem incriminá-lo. A CPMI segue investigando os desvios e buscando responsabilizar os envolvidos, com o objetivo de proteger os direitos dos aposentados e pensionistas.








