Manto sagrado dos Tupinambá é exibido pela primeira vez em galeria de arte

A exposição 'Céu Tupinambá' na França apresenta o manto sagrado dos Tupinambá até 10 de novembro.
Céu Tupinambá
A Galeria Ricardo Fernandes, em Saint-Ouen, França, recebe a exposição ‘Céu Tupinambá’, que destaca o manto sagrado contemporâneo dos Tupinambá, até 10 de novembro. A artista Glicéria Tupinambá, reconhecida por seu ativismo e arte, traz à tona saberes ancestrais que foram silenciados pela colonização.
O projeto e sua inspiração
O projeto surgiu de uma experiência pessoal de Glicéria durante um período de detenção em 2010, quando lutava pela demarcação de seu território. A observação de uma criança dançando para o céu a inspirou a redescobrir e valorizar a cosmologia de seu povo, que inclui a nomeação de constelações importantes para a navegação.
A importância do manto sagrado
O manto sagrado é o ponto central da instalação, simbolizando a conexão entre o céu e a terra na visão tupinambá. Glicéria, que recentemente representou o Brasil na Bienal de Veneza, traz para a galeria um trabalho coletivo que envolve mulheres e anciãos de sua comunidade, desafiando o patriarcado presente na cultura tupinambá.
Curadoria e significado
O curador Ricardo Fernandes destaca que a exposição oferece aos visitantes uma visão única sobre a cosmovisão tupinambá e a importância de um manto feito por mulheres. Este é um passo significativo, pois tradicionalmente, esses mantos eram confeccionados para a figura do pajé, geralmente um homem. A mostra proporciona uma reflexão sobre a hierarquia e a espiritualidade dentro da comunidade.
Conclusão
A exposição ‘Céu Tupinambá’ não é apenas uma mostra de arte, mas um espaço de resgate e valorização da cultura indígena, permitindo que vozes silenciadas sejam ouvidas e reconhecidas. Os visitantes poderão apreciar esta rica herança até o dia 10 de novembro, durante o Ano do Brasil na França 2025.








