Reflexões sobre a relação entre Estado e indivíduos

A relação entre Estado e indivíduos é complexa e não deve ser reduzida a uma metáfora familiar.
Numa família pequena, a proteção de pais é maravilhosa e eficaz; mas uma sociedade de milhões não é uma família. Observe qualquer campanha presidencial recente nos Estados Unidos, onde se nota uma competição de falsas promessas. A insistente exigência moderna de que o Estado assuma o papel de pai amoroso ou severo surge, é claro, da democracia, que, como H. L. Mencken afirmou, é a teoria de que as pessoas comuns sabem o que querem e merecem obtê-lo, com todas as forças.
A metáfora do Estado familiar
A metáfora do Estado como uma família é uma das mais doces, mas enganadoras, do antiliberalismo moderno. O conceito de Paterfamilias, que remonta a Jaime I/VI da Inglaterra, sugere que em “comunidades bem governadas, o estilo Pater patriae sempre foi… usado para reis”. Essa visão se reflete em discursos políticos ao longo da história, incluindo o termo folkhemmet, que significa ‘a casa do povo’, e que ressoou na política sueca até seus desastres econômicos nos anos 90.
O papel do Estado na sociedade
Papais e mamães são bons para nós, quando somos crianças, mas tornam-se ruins quando somos adultos livres. A lógica familiar não se aplica a uma sociedade grande, como as dos Estados Unidos, onde cerca de 335 milhões de pessoas não podem ser tratadas como filhos. A proteção do Estado pode levar à tirania e à dependência, como afirmado em várias reflexões sobre a natureza do poder.
Conclusão
Cuidado com a metáfora do Brasil como uma família; ela pode soar encantadora, mas tem o potencial de levar à servidão. A política deve ser baseada na liberdade e na responsabilidade, não na proteção paternalista. Portanto, é crucial que os cidadãos reconheçam a diferença entre o Estado e uma família, buscando sempre a liberdade em vez da dependência.
Notícia feita com informações do portal: redir.folha.com.br








