Professor da Unicamp reflete sobre o futuro da tecnologia

Amir Caldeira, professor da Unicamp, comenta sobre os desafios da computação quântica e a aplicação prática da tecnologia.
Na terça-feira (7), o Nobel de Física trouxe à tona a citação ao trabalho do professor Amir Caldeira, da Unicamp, que investigou o tunelamento quântico na década de 1980. O professor expressou incertezas sobre quais problemas a computação quântica poderá resolver, afirmando: “Não sei”. Caldeira destacou que a pressão por aplicações práticas na ciência é desproporcional e que a pesquisa fundamental é essencial para o avanço do conhecimento.
A pressão por resultados imediatos
Caldeira criticou a expectativa de que toda pesquisa deve ter aplicação prática imediata, ressaltando que a ciência é um processo que muitas vezes leva a descobertas inesperadas. Ele mencionou que, embora existam algoritmos para computação quântica, como o de fatoração, ainda estamos longe de um computador quântico universal. O professor também se mostrou cético quanto à pressão por resultados imediatos, que pode prejudicar o desenvolvimento de novas ideias.
A analogia com inovações científicas
Usando a analogia do laser, Caldeira comentou que ninguém previu as aplicações práticas que surgiriam a partir dessa tecnologia, como em operações de catarata ou impressoras. Ele também mencionou que a teoria da relatividade de Einstein, embora inicialmente vista como algo sem aplicação, é crucial para a precisão dos sistemas de GPS atuais. Isso demonstra que o desenvolvimento científico pode seguir caminhos inesperados.
O futuro da computação quântica
Caldeira conclui que a computação quântica ainda está em sua infância, comparando-a aos primeiros computadores da década de 1940. Pesquisadores como Rafael Chaves, da UFRN, reforçam que os computadores quânticos atuais são rudimentares e usados principalmente para curiosidades matemáticas. A expectativa é que, no futuro, as aplicações práticas se tornem mais evidentes, mas isso requer tempo e pesquisa contínua.








