A venda de garrafas vazias de uísque em plataformas como Shopee e OLX levanta preocupações sobre a possibilidade de uso no mercado ilegal para adulteração de bebidas. Especialistas destacam que esses vasilhames podem ser utilizados para envasar líquidos impróprios ao consumo, como metanol. Após denúncias, as plataformas retiraram anúncios, mas a indústria pede maior fiscalização. A ABBD e o Ministério da Justiça estão atentos ao problema e alertam sobre os riscos que essa prática representa para os consumidores.

Garrafas vazias de uísque estão à venda em sites de ecommerce, levantando preocupações sobre o mercado ilegal.
Garrafas de bebidas alcoólicas vazias, que são apontadas como um dos principais problemas no caso da intoxicação pelo metanol, são ofertadas em sites de ecommerce como Shopee, OLX e Enjoei. Especialistas alertam que esses vasilhames podem ser usados pelo mercado ilegal para adulterar bebidas. Por R$ 40 é possível comprar um kit com duas garrafas vazias de uísque Johnnie Walker Red Label e uma Black Label na OLX, enquanto uma garrafa lacrada do produto custa cerca de R$ 100 a R$ 150 em supermercados.
Preocupações com o mercado ilegal
Parte dos anúncios publicados nos sites tem uma legenda indicando que as garrafas vazias servem para artesanato e decoração. No entanto, a venda de garrafas vazias levanta questões sobre o reaproveitamento de tampas de bebidas originais na confecção de produtos falsos, o que é igualmente alarmante. A ABBD, que representa grandes marcas da indústria, como Diageo e Pernod Ricard, enfatiza a necessidade de fiscalização.
Ação das plataformas e autoridades
Após serem contatadas, a Shopee e o Enjoei removeram os anúncios do ar. O presidente da ABBD, Eduardo Cidade, pede uma ação integrada das autoridades, incluindo a Polícia Civil, Militar e Federal, para acabar com essas práticas. O Procon-SP observa que, embora a venda de garrafas vazias não seja, em tese, irregular, existem situações que podem caracterizar irregularidades.
Riscos ao consumidor
A prática de refil, onde fraudadores reutilizam garrafas originais para envasar líquidos adulterados, é apontada como um dos principais métodos para falsificar bebidas. O consumo de bebidas falsificadas pode levar a intoxicações graves. O Ministério da Justiça, por meio da Senacon, está monitorando o mercado ilegal e orientando plataformas sobre como mitigar esses riscos. As vendas de garrafas vazias podem facilitar a adulteração e revenda fraudulenta, gerando riscos ao consumidor.








