Mudança de hábitos impulsionada por redes sociais e busca por saúde

Os jovens da Geração Z trocam o álcool pelo café, influenciados por tendências sociais e busca por saúde.
Com a chegada do Dia Internacional do Café, celebrado em 1º de outubro, um dado interessante se destaca: a Geração Z, composta por jovens de 16 a 25 anos, se tornou a maior entusiasta do café no Brasil, segundo pesquisa da Euromonitor encomendado pela Abic. Esses jovens, conhecidos como “nativos digitais”, são consumidores exigentes que priorizam produtos e experiências que refletem seus valores de sustentabilidade e saúde.
Influência das redes sociais
De acordo com Hesli Carvalho, sócio-fundador da HM Food Café em São Paulo, as redes sociais estão moldando o consumo de café entre os jovens. A primeira onda de popularização ocorreu com o boom dos cafés especiais e a chegada de grandes cadeias, mas agora, influenciadores digitais são os responsáveis por ditar tendências. Os jovens estão cada vez mais atentos à origem dos grãos e às questões sociais e ambientais, buscando um espaço de socialização que antes pertencia ao álcool.
Mudança no comportamento do consumidor
Influenciadores como Andrew Martins e Filipe Porta notaram que, durante a pandemia, a Geração Z começou a priorizar o cuidado com o corpo e ao mesmo tempo valorizar experiências prazerosas. Segundo uma pesquisa do IAC, apenas 39% dos consumidores de café frequentam cafeterias, mas esse número sobe para 47% entre os jovens de 18 a 24 anos, mostrando uma mudança nas preferências. Sergio Parreiras Pereira, do Centro de Café do IAC, destaca que os jovens buscam experiências sensoriais únicas e conveniência.
Desafios e oportunidades
Apesar do crescimento do interesse pelo café, a elitização da bebida ainda é um obstáculo. Renan Millá, fundador do Café do Millá em Guaianases, ressalta que o café especial é visto como um produto de exclusividade, dificultando o acesso a consumidores de menor poder aquisitivo. Entretanto, a Geração Z demonstra uma curiosidade e disposição para experimentar novas combinações, como o Cupuafé, e está mais aberta a quebrar barreiras em relação ao consumo de café. Millá acredita que democratizar o acesso e educar os consumidores sobre a qualidade do café são essenciais para o futuro do mercado.








