Reflexões sobre o Yom Kipur e as lições para a paz


Um chamado ao perdão e ao diálogo entre israelenses e palestinos

Reflexões sobre o Yom Kipur e as lições para a paz
Judeus rezando durante os grandes dias sagrados. Foto: Reprodução

Amanhã, milhões de judeus iniciarão o Yom Kippur, o Dia do Perdão, refletindo sobre reconciliação e paz. Este momento pode inspirar a diplomacia internacional.

Amanhã, ao pôr do sol, milhões de judeus iniciarão o Yom Kippur, o Dia do Perdão – a data mais sagrada do calendário judaico. Durante 25 horas, jejuarão e buscarão expiação pelos erros do ano passado. É um momento de profunda reflexão sobre como recomeçar e construir algo melhor, o que poderia inspirar a diplomacia internacional a examinar seus erros na condução dos conflitos globais.

Erros históricos e suas consequências

A história está repleta de “soluções” impostas que geraram mais guerras que paz. O Tratado de Versalhes humilhou a Alemanha e pavimentou o caminho para o nazismo. O Tratado de Trianon fragmentou a Hungria de forma tão brutal que o ressentimento persiste um século depois. Em ambos os casos, as potências vitoriosas excluíram os derrotados das negociações, impondo termos unilaterais que alimentaram décadas de instabilidade.

A questão do Oriente Médio

No Oriente Médio, testemunhamos a repetição destes mesmos erros. A comunidade internacional tenta impor a criação de um Estado palestino excluindo Israel das discussões sobre seu próprio futuro. Resoluções são aprovadas e reconhecimentos concedidos sem considerar as necessidades básicas de segurança de um país que enfrenta ameaças existenciais diárias. Esta abordagem ignora uma verdade desconfortável: a ausência de um Estado palestino em 1948 não resultou de “imposição sionista”, mas da rejeição árabe à partilha da ONU. Quando as Nações Unidas propuseram dois Estados em 1947, os líderes judeus aceitaram, enquanto os árabes rejeitaram e optaram pela guerra.

O perdão e a construção da paz

O Yom Kippur nos ensina que o perdão só é possível quando há reconhecimento mútuo da humanidade do outro. Não se constrói paz sobre a negação da legitimidade de uma das partes. Organizações que declaram o objetivo de destruir Israel tornam impossível qualquer processo genuíno de reconciliação. A coragem significa enfrentar estas verdades para construir algo melhor, e uma diplomacia corajosa exigiria que palestinos reconhecessem o direito de Israel existir como Estado judaico, assim como Israel deve reconhecer as aspirações palestinas legítimas.

Um chamado à reflexão

O Yom Kippur termina com o som do shofar – anunciando renovação e possibilidade. O mundo precisa deste momento de pausa e reflexão. Precisa reconhecer que a paz verdadeira não pode ser decretada, mas deve ser construída sobre fundações de verdade, justiça e respeito mútuo. Somos favoráveis a dois Estados, mas dois Estados que se entendam e se respeitem. Esta solução deve nascer do diálogo corajoso entre as partes. O Dia do Perdão nos ensina que nunca é tarde para recomeçar. Para Israel e Palestina, para o mundo inteiro, a redenção ainda é possível. Mas ela começa com uma palavra simples: “Perdão” – e a coragem de construir pontes em vez de decretar muros.


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