Advogado aponta conivência de servidores em fraudes do INSS


Eli Cohen declara que esquema de fraudes foi possível com a participação de servidores públicos.

Advogado aponta conivência de servidores em fraudes do INSS
Depoimento do advogado Eli Cohen na CPMI do INSS. Foto: Agência Brasil

Eli Cohen afirma que fraudes no INSS só foram possíveis devido à conivência de servidores públicos.

O advogado Eli Cohen, reconhecido por expor irregularidades nas mensalidades descontadas de benefícios previdenciários, testemunhou na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Cohen afirmou que a complexidade e a abrangência das fraudes não poderiam ter sido realizadas sem a conivência de servidores públicos e a participação de autoridades de alto escalão. Segundo ele, “esse crime não poderia ter sido realizado se você não tivesse no seu bolso o presidente do INSS e todo o Departamento de Benefícios do instituto”.

Detalhes das fraudes e a Operação Sem Desconto

Cohen contou que tomou conhecimento das fraudes em dezembro de 2022, ao ser contratado por dirigentes de entidades que ofereciam a opção de descontos em aposentadorias para mensalidades associativas. Ele relatou que seus primeiros clientes, aposentados, foram usados como laranjas no esquema. “Eles não conseguiam comprar uma geladeira. O nome deles estava sujo… Em dez minutos, eu sabia que era uma fraude endêmica”, declarou.

Em abril de 2023, a Operação Sem Desconto, realizada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), revelou que milhões de descontos haviam sido autorizados de forma fraudulenta. Na mesma ocasião, o presidente do INSS foi exonerado e outros dirigentes afastados. Cohen ressaltou que a fraude só foi possível pela omissão das instituições públicas em investigar as denúncias.

“Esse modelo que eu vou explicar funciona para todos os sindicatos e associações. Todos. Só mudam os personagens. O que não muda são as vítimas: o aposentado e pensionista.”

A origem das fraudes

Cohen atribui a origem da chamada Farra do INSS a uma Medida Provisória de 2003, que permitiu o desconto de valores referentes a empréstimos e financiamentos em folha de pagamento. Ele argumentou que, embora a medida tivesse um apelo social positivo, sua execução favoreceu as instituições financeiras. O advogado destacou que já em 2005 começaram as reclamações sobre fraudes nos consignados, com ações judiciais de aposentados que alegavam não ter solicitado empréstimos.

Reações e questionamentos dos parlamentares

Durante o depoimento, parlamentares questionaram a credibilidade das afirmações de Cohen. O deputado Rogério Correia (PT-MG) observou que o advogado não apresentou provas documentais para suas alegações, enquanto o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) reconheceu a importância de sua colaboração, mas ressaltou a necessidade de investigar conexões criminosas mais amplas. O depoente mencionou várias pessoas sob investigação pela PF, mas omitiu outros nomes relevantes, como o de José Carlos Oliveira, ex-presidente do INSS.

As declarações de Eli Cohen levantaram um debate significativo sobre a necessidade de uma investigação mais aprofundada das fraudes no INSS e o papel das autoridades envolvidas. O cenário atual exige uma atenção redobrada das instituições competentes para garantir a proteção dos direitos dos aposentados e pensionistas, além de responsabilizar os envolvidos nas irregularidades.


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