Crise no Tocantins: Vice assume governo após afastamento de Wanderley Barbosa por suspeita de corrupção


Laurez Rocha Moreira (PSD) assumiu interinamente o governo do Tocantins após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinar o afastamento imediato de Wanderley Barbosa (Republicanos). A decisão, publicada no Diário Oficial do estado, mergulha o governo tocantinense em uma nova fase, marcada por incertezas e promessas de transparência.

Barbosa é investigado por suspeitas de desvio de recursos públicos destinados à compra de cestas básicas durante a pandemia de Covid-19. A Polícia Federal (PF) aponta para um prejuízo potencial de R$ 73 milhões em contratos que somam R$ 97 milhões, envolvendo compras de cestas básicas e frango congelado. A investigação, que tramita em segredo de justiça, lançou uma sombra sobre a gestão do governador afastado.

Além do afastamento, o ministro do STJ, Mauro Campbell, determinou que Barbosa e sua esposa, Karynne Sotero Campos, fiquem afastados de suas funções públicas por no mínimo 180 dias. O casal também está proibido de acessar prédios públicos estaduais, incluindo o Palácio Araguaia e a Assembleia Legislativa. A Corte Especial do STJ referendou as medidas cautelares por unanimidade.

Em um movimento imediato após assumir o cargo, Laurez Moreira exonerou todo o primeiro escalão do governo, substituindo os ocupantes por nomes de sua confiança. Foram publicadas 51 exonerações, abrangendo desde a Procuradoria-Geral até os comandos da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, além de diversas agências e institutos.

“A falta de transparência abre espaço para a corrupção”, declarou Moreira em sua primeira coletiva como governador interino, enfatizando a prioridade de resgatar a confiança da sociedade e dos investidores. Ele prometeu um governo aberto, com acesso facilitado às informações e acompanhamento da administração.

Wanderley Barbosa, alvo da Operação Fames-19, defende-se alegando que, na época dos fatos investigados, era vice-governador e não tinha responsabilidade sobre os contratos. “É importante ressaltar que o pagamento das cestas básicas, objeto da investigação, ocorreu entre 2020 e 2021, ainda na gestão anterior, quando eu exercia o cargo de vice-governador e não era ordenador de despesas”, afirmou.

Curiosamente, o antecessor de Barbosa, Mauro Carlesse, também foi afastado do cargo pelo STJ em 2021, por suspeitas de participação em um esquema de propinas. Carlesse renunciou em 2022, levando Barbosa a assumir o governo definitivamente. O ministro Mauro Campbell, relator da investigação, aponta que o esquema de desvio de recursos foi continuado e incrementado durante a gestão de Barbosa.

“Foram reunidos fartos indícios de que o amplo esquema de desvio de recursos públicos por meio do fornecimento de cestas básicas contou com a ciência e aquiescência do próprio senhor Wanderley Barbosa”, declarou Campbell, acusando Barbosa de transformar o governo em um “verdadeiro balcão de negócios”.

Barbosa garante que determinou a auditoria dos contratos sob suspeita e que acionará os meios jurídicos necessários para reassumir o cargo. “Além dessas providências já em curso, acionarei os meios jurídicos necessários para reassumir o cargo de governador, comprovar a legalidade dos meus atos e enfrentar essa injustiça, assegurando a estabilidade do Estado e a continuidade dos serviços à população”, concluiu em nota.

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br


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